
Tudo em dois. Duas taças, dois cafés, dois sanduíches. Se chega um terceiro, já não sabemos o que fazer.
Dois silêncios simultâneos, dois tempos em compasso. Dois dias que passam voando, duas lentas horas.
Dois instrumentos, computador e guitarra. Dois sons, água fervendo e chuveiro.
Dois dias, duas semanas, dois meses e, quando vimos, já eram dois anos. Dois fuso-horários, dois aniversários. Alguns raros amigos, acho que uns dois ou três. Duas histórias, muitas memórias.
Choramos as duas lágrimas que nos cabem nos dois minutos a sós.
Duas máscaras para cada um, dois potinhos de álcool-gel. Dois jogos de toalha, dois de roupa de cama.
Dois bares preferidos, dois bares fechados.
Muitos e muitos planos, dois que se concretizam. De duas aulas, fazemos três. De muitas ideias, escolhemos uma.
Outros dois instrumentos, guitarra e contrabaixo.
Na confusão de um mundo transformado em nada e silêncio, a imperfeição nasce como beleza. Dois universos, oriente e ocidente. Dois conceitos, fragilidade e impermanência.
Dois amigos, dois instrumentos, uma música.